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Educação Ambiental Não Escolar: uma demanda aquém do seu tempo

 

A educação como fenômeno social, em sua origem, sua trajetória histórica e sua concepção mais simples, foi e ainda é essencialmente percebida como uma via de mão única que flui dos mais velhos aos mais jovens. Se observarmos, veremos que intencionalmente e necessariamente, tanto em suas instâncias informais (a família), como formais (a rede escolar), os mais velhos educam os mais jovens, os adultos educam as crianças. Mas cuidado, há uma diferença entre educação e aprendizagem. Como adultos, por certo aprendemos com as crianças, mas raramente podemos afirmar que elas nos educam. Trata-se de uma correlação básica entre a idade e a sabedoria que acompanha a curva da vida. E isso acontece até um determinado ponto na relação entre o educador e o educando, onde essa via começa a se desfazer tornando-se um campo movimentado de desconstrução e reconstrução do saber. Arrisco estimar que essa transformação se inicia imperceptível com a abstração do pensamento na infância, se consolida de forma clara na adolescência e se estabiliza na idade adulta: aquele ponto em que está incerto quem educa quem. Mas isso não significa que a educação para.

Em sua etimologia, educação significa erguer ao conhecimento, levar à intelectualidade (com crase), e é muito natural que seja assim. Afinal, quanto mais anos de experiência na vida, quanto mais anos de reflexão e indagação sobre as coisas que nos acontecem, mais diversas e substanciadas passam a ser as respostas que compartilhamos. Adicione a este fato o universo em rápida expansão de conhecimento, e agora ainda por cima um universo acessível há um click de distância, temos que a educação não escolar, esta entre adultos, precisa ser melhor formulada.

Não poderia ser diferente com a educação ambiental. Por isso, como ecologistas, ambientalistas, educadores, precisamos estar atentos que a educação ambiental não é, nem deveria ser igual ao longo da idade. Não estou me referindo meramente a conteúdo e/ou à metodologia. Estou me referindo ao paradigma. Precisamos a educação ambiental UNS DOS OUTROS. Pare e pense agora sobre isso porque é a parte mais importante do texto. O empreendedor que busca licenciamento ambiental tem muito a dizer. O licenciador, ainda mais. O administrador dos recursos públicos não sabe nem por onde começar. E assim a nuvem de argumentos e indagações cresce exponencialmente à medida que se adicionam outras instituições e hierarquias intermeadas e sustentadas todas, por conhecimento técnico, político, e de vida.

Quando o assunto é sustentabilidade, todos têm o que dizer. Mas chegamos nisso, nesse momento da história despreparados, sem uma estrutura inteligente e formal para catalizar e facilitar o diálogo construtivo e necessário para que a educação disponível em todos nós flua de forma eficaz. Não estamos tendo nem tempo nem espaço necessários para ouvirmos adequadamente uns aos outros. Precisamos ainda criar esses meios de nos levarmos mais a sério. A educação ambiental não escolar a que me refiro é esta que ainda não criamos, mas que aparece no horizonte como emergencial.

Este assunto será melhor tratado na terceira edição do curso Gestores Ambientais Comunitários que o Movimento Roessler para a Defesa Ambiental (www.movimentoroessler.org) deverá articular já no primeiro semestre de 2017.

O Antropoceno, gente, mal começou! Podemos ainda surpreender à Terra e a nós mesmos com ele, mas para isso precisaremos nos educar melhor.

By | 2016-12-13T15:29:29+00:00 dezembro 13th, 2016|Educação Ambiental|Comentários desativados em Educação Ambiental Não Escolar

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PRODUZIDO POR:

Fernando J. Soares, biólogo, professor de ecologia, mestre em ensino de ciências e especialista em educação ambiental. Como consultor educacional, trabalha com projetos de pesquisa e avaliação utilizando metodologias mistas, tecnologia da informação e ciência colaborativa.

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E-mail: biofsoares@gmail.com